Como ser promovido para o cargo que você quer

Como CEO da empresa SEG Saúde Ocupacional, gosto de ficar atento às necessidades, sugestões e pontos de vistas dos nossos colaboradores. Para isso, realizo almoços com dois colaboradores escolhidos aleatoriamente toda semana, possuímos uma caixa de sugestões anônima em que somente eu tenho a chave e mantemos uma política de email e portas abertas à todos.

Com estas práticas eu consigo ter uma noção razoável das impressões e anseios dos colaboradores e, quando possível, tiro dúvidas e esclareço as coisas diretamente. Porém, em alguns casos, quando sinto que o assunto é latente de forma generalizada na empresa, eu escrevo um comunicado por email à todos.

Há um pouco mais de uma semana eu escrevi um destes emails, pois senti que diversos colaboradores estavam almejando serem recrutados internamente para outras áreas. O resultado do email foi muito positivo e, por isto, gostaria de compartilhar esta mensagem com vocês leitores.

Segue o email >>>

 

Olá Seguianos,

Recentemente, em conversa com alguns de nossos líderes, veio à tona o assunto de promoção e recrutamento interno e eu gostaria de compartilhar o que eu penso a respeito.

Sabemos que existem diversos colaboradores na SEG que estão estudando para se formarem em enfermagem, técnico de segurança do trabalho, administradores, etc. e almejam uma nova posição na empresa nestas áreas.

O principal ponto da conversa entre líderes foi: como alinhar as expectativas junto aos colaboradores e realmente ter pessoas internas com o perfil que queremos quando estas vagas surgirem.

O Recrutamento Interno faz parte da Política de Recrutamento e Seleção da SEG e é algo extremamente benéfico à qualquer empresa e aos seus colaboradores.

Ele ocorre quando 2 fatores estão alinhados: quando a vaga fica disponível e quando existe um colaborador na empresa com o perfil e conhecimentos desejados para esta vaga.

Porém, para que o colaborador seja recrutado internamente, existem algumas responsabilidades e ações que este deve realizar.

Não basta o colaborador fazer um bom trabalho na sua função atual e se formar com um diploma relacionado à área desejada.

Para que o colaborador seja considerado para a nova posição quando ela estiver disponível, ele deve já ter mostrado à liderança as competências básicas da nova função, mesmo trabalhando no cargo atual.

Mas como fazer isto?
Como saber se você está no caminho certo?

Segue a receita:

  • Converse com o supervisor da posição que você almeja e pergunte o que ele considera como um bom profissional daquela posição. (preste atenção nos comportamentos identificados, nas iniciativas que o profissional deve ter e no conhecimento que ele deve adquirir)
  • Converse com o RH e levante as mesmas informações. Se possível, peça a descrição de cargo da vaga desejada e leia atentamente o CHA (Conhecimentos, Habilidades e Atitudes) da função.
  • Procure demonstrar, na sua própria função atual, dentro do possível e sem prejudicar o seu desempenho, os comportamentos necessários para a posição almejada (por exemplo: boa comunicação, ouvir o cliente, preocupação com bons processos, jogo de cintura, etc.)
  • Procure criar bons relacionamentos com as pessoas e o supervisor da área que você almeja.
  • Nas suas horas vagas, procure mostrar interesse na área almejada através de: perguntando aos colaboradores da área e se mostrando interessado em aprender o máximo possível sobre o trabalho lá, se prontificando em ajudar em algumas tarefas da área, trocando conhecimentos da área com os profissionais de lá, tendo iniciativas que visam melhorar o relacionamento entre a área almejada e a sua área atual, entre outros.

Todo bom líder vibra quando uma pessoa se mostra com interesse e iniciativa em uma função, da mesma maneira que todo professor vibra em ter alunos interessados em aprender.

Só é promovido quem mostra iniciativa na empresa e bastante interesse na posição desejada.

As ações colocadas acima só podem ser realizadas por iniciativa própria do colaborador. A empresa não deve e nem pode pedir à ele que faça estas coisas.

Cabe aos líderes alinharem com os seus subordinados as expectativas e darem feedback quanto aos comportamentos desejados.

O Recrutamento Interno deve ser algo natural. Se o colaborador seguir a receita acima, fica muito fácil para o recrutador escolhê-lo, pois já sabe que ele terá o perfil que deseja. Se ele não se comportar com o perfil da vaga desejada, o recrutador provavelmente terá a conclusão de que “ele simplesmente não tem o perfil”.

Portanto, se você quer ficar na posição que você está, faça muito bem o seu trabalho atual. Porém, se você quiser crescer na empresa, faça muito bem o seu trabalho atual e demonstre bastante iniciativa e interesse na área desejada.

Abraços,

Ricardo Sé Cestari

 

Idea for Killer LinkedIn Mobile Feature

In the last 5 to 10 years, LinkedIn has become the place to be in the Internet for any businessperson. There are many great features in this professional social networking site, and I use it a lot. However, their mobile app is somewhat lacking.

Don’t get me wrong, it is nicely designed, has all my contacts, interesting news, etc., but somehow I don’t see myself using it very often. Actually, I think I opened it only 3 or 4 of times before writing this article.

However, during a recent situation, I had an idea for it to become much more useful. So, I am here to write about it: one new feature that might prove to be the killer feature for making the LinkedIn’s mobile app ubiquitous in any business meeting. I truly believe that, with this feature, a lot more people would be opening and using their LinkedIn mobile application, at least more often than it is done today.

The feature is: A Mobile Virtual Business Card

Just imagine for a moment: you are in a business meeting or event. You exchange business cards with several people. You will later need to enter their contact info into your contacts application and probably you will search for them in LinkedIn and add them as a contact.

I know, you can exchange vcards with them and there are some smartphones that you can “bump” and exchange contacts. However, these processes are still somehow complicated or limited to a few smartphones or manufacturers.

The LinkedIn mobile app could have a feature that would simplify this situation immensely. Just a QR code “link” card that makes exchanging contact details extremely easy.

Check the general idea in the presentation below.

As you saw, this would make exchanging LinkedIn and contact information very easy. However, I believe it needs to accompany an overhaul in LinkedIn tagging system.

My account is already filled with contacts that I don’t remember exactly where I met. I normally do not add strangers but I often receive several invitations after business meetings and, as I might be willing to make some business with them in the future, I accept the connections.

After every successful connection, in the web or on mobile, you should be presented to an option of tagging the new contact. LinkedIn already has a tagging system but, today, it is not a part of the connection process. Currently you have to ask to connect (or accept) a new connection and, when connected, you have to remember to go to your connections screen, find the new contact amongst all your other connections, and then tag it. Too cumbersome to be used effectively.

Nevertheless, here it is: the suggested feature of Mobile LinkedIn Cards that, in my opinion, when implemented with a better tagging system, will significantly boost the adoption of LinkedIn mobile app and make life a lot easier for us business people.

Gamification – Why it matters for Business

A very hot topic in the business world today is the growing trend of Gamification. This is a great tool, one that can significantly boost performance and motivation of clients, partners and employees, but one surrounded by misunderstanding.

Many people think it means using video games for training purposes or providing sponsored video games for customers to play so they can have an enjoyable “experience” with the brand. Although these are good uses of games in business, this is not what Gamification really is. Here, I will clarify the issue from a person who has the point of view of a businessperson, a gamer, a student of Gamification, and a proponent of correctly applied gamified systems in the business environment.

badges

First, lets properly define what Gamification really is.

The most accepted definition of Gamification is: “the application of game elements to non-game situations”. In a business scenario, this means an integration of game elements into common business activities, such as customer relationship management or human resources processes, for example. But what exactly are “game elements”?

They can be understood and classified in 3 levels:

  1. Dynamics, the high level thinking behind a gamified system (e.g.: constraints, narrative, progression, relationships, etc.)
  2. Mechanics, the mid-level concepts that define relationships and drive action in gamified systems (e.g.: challenges, competition, cooperation, community, feedback, meaningful choices, mastery, rewards, etc.)
  3. Components, the building blocks of a gamified system (e.g.: points, badges, leaderboards, quests, check-ins, avatars, virtual goods, etc.)

There are hundreds of game elements to think about but, in order to function correctly, they must be implemented by applying “game design” thinking. This means, the system has to have a purpose, it has to be human centered, it has to be balanced, it must provide a journey from beginner to mastery for the players, and it has to be fun, among other things.

Game elements, applied in games and in properly designed gamification projects, translate to a user experience that provide:

  • Objective and aptly timed feedback systems;
  • Clear sense of purpose (in an epic sense);
  • Clear statement and understanding of what needs to be done (quests);
  • Clear sense of progress (progress bars, leveling);
  • Activities presented in gradual difficulty (doable but always challenging);
  • Tangible achievements with status value for the player (badges, epic prizes);
  • Competition defined by clear and fair rules;
  • An environment that fosters collaboration to tackle massive challenges that one person clearly cannot tackle on their own.

Looking at the list above, from the point of view of a businessperson, it is clear that these points are definitely strategic. It is also clear that, in management theory, we have been talking about these same things for about a century now.

What is really worth noting is that game designers have perfected the science of applying these elements in a manner that they massively engage and motivate people to spend an incredible amount of time tackling extremely mind-intensive activities that are today’s video games.

According to Jane McGonial, in her TED talk (video below), currently there are more than half a billion people worldwide playing videogames for at least an hour a day. This amounts to about 3 billion hours a week (in 2010). As mentioned, video games are complex problem solving, extremely mind-intensive activities and people perform then voluntarily and have fun while doing them. Consequently, we can certainly learn from them and extract useful principles to apply to non-game activities, such as business and education.

What games can give businesses is a framework, a guide on how to apply these elements in a manner that will achieve business results and will make all stakeholders (employees, clients, managers, partners and business owners) better off.

There is no doubt that games, and game elements, play a huge role in the lives of the new generation of business people and the workforce. They will demand (and will also create) a better, more immersive, implementation of those game elements listed here; something that most businesses today still fail to do.

However, there is a certain danger of implementing game elements without proper understanding of human psychology. Jessy Schell has an entertaining “semi-apocalyptic” vision of a gamified future that is worth watching.

However, the real danger of improperly applying game elements to businesses, and to other areas, has its roots in Behaviorism theory. Points, badges and leaderboards are normally used as external rewards to motivate people’s behavior. When improperly used in a situation where there already was an intrinsic motivation for performing a task, there is a real danger for the extrinsic motivation to substitute the intrinsic one. For example: in a research done in a primary school, kids were asked to draw. Some kids intrinsically liked to draw while others not. When rewards were introduced for good drawings, the general quality of the drawings and effort went up. However, when rewards were later withdrawn, the quality and effort of the drawings dropped significantly below when compared to before the study. That happened because even the kids who liked drawing for its own sake had substituted their intrinsic motivation for drawing for the extrinsic motivation of the reward.

Another danger is that when gamification is performed as a system for controlling people’s behavior. In a very criticized trial, which became known as the “Electronic Whip”, Disney implemented a leaderboard for displaying the performance of their laundry employees. In it, employees where publicly shown their names and scores for their performance in doing laundry. As a consequence, people started to rush for better scores, often skipping lunch and doing voluntary overtime. However, they became very nervous, anxious and felt they were being unreasonably controlled. In systems like this, short-term productivity usually goes up but in expense of the people’s sanity and respect for employees’ human needs. A properly gamified system must provide motivation together with fun. It must provide freedom of choice for the players and a sense of purpose and companionship.

Some opponents of Gamification have named the bad approaches of gamification as “Pointsfication”, which denotes mindlessly applying points, badges and leaderboards to activities with undesired results. They are right in oppose these approaches. However, if done right, gamification can transform a boring job into something fun. It can boost motivation by properly providing objective feedback, sense of progress and clear goals. Gamification can be used as a framework for creating a path to mastery for employees and for effectively communicating desired behaviors to clients, partners and other stakeholders.

For people who want to know more about gamification, I recommend Jane McGonigal’s videos on TED, her book “Reality is Broken”, Professor Kevin Werback and Dan Hunter’s book “For the Win”, and videos on the Gamification Summit.

This article is also available in Ricardo’s other blog: Higher Business & Life.

Banco 2.0 – Como os Bancos Poderiam Ser na Era da Internet (parte 2)

No artigo anterior, coloquei alguns pontos básicos sobre como os bancos deveriam apresentar os seus serviços virtuais.

Neste artigo vou colocar algumas idéias mais avançadas de ferramentas de internet banking que ajudariam, em muito, as pessoas a se organizarem e a tomarem as rédeas de suas finanças pessoais.

1. Crowdsourcing para automatização da gestão financeira pessoal

O serviço americano Mint.com permite que qualquer pessoa que tenha uma conta bancária ou de cartão de crédito nos EUA classifique automaticamente as suas despesas. Este site conecta-se ao seu banco, empresa de cartão de crédito, de financiamento ou qualquer instituição financeira e lê todas as suas transações financeiras diariamente, automaticamente.

Através de uma classificação inicial de transações, o serviço compara a descrição de cada uma de suas transações financeiras com sua base de dados de classificação e também com o que os outros usuários estão classificando. Deste modo, tudo o que você deve fazer é dar acesso uma única vez às suas contas financeiras e o serviço classifica automaticamente, diariamente, todas as suas despesas e receitas.

Vejam no video abaixo um overview do Mint.

Muitos leitores podem ficar preocupados com segurança, mas o acesso do Mint às suas contas é de uma só mão (só lê, não tem permissão de fazer transações). E também, se o seu próprio banco te oferecesse isto dentro do seu internet banking, a segurança não seria um problema.

Agora imaginem esta classificação sendo feita automaticamente junto a todas as contas e produtos financeiros que você possui no seu banco. Isto sim ajudaria a organizarmos nossas finanças pessoais.

2. Budgets (Orçamentos)

Uma vez que se tem as despesas da conta corrente e cartões de crédito automaticamente categorizadas, poderíamos criar orçamentos para o mês. Por exemplo: posso planejar gastar R$ 1000 em refeições, R$ 700 em combustível e R$ 2500 em supermercado. Ao longo do mês, na medida em que vou gastando, o software me informa, automaticamente, se estou gastando dentro do limite que estipulei para cada categoria ou se já passei da conta. Poderia até me deixar estipular alertas quando chego perto do limite ou passo dele.

Isto naturalmente deveria estar não só no site web do banco, mas também no aplicativo do banco para smartphones e tablets, possibilitando que tenhamos esta visão de qualquer local.

Budget

3. Mobile Payments

Hoje, existem diversas novas tecnologias e aplicativos no exterior que estão revolucionando o modo como pessoas pagam por suas compras e transferem dinheiro entre si, principalmente no campo de smartphones. Exemplos são PayPal Mobile Payments, Square, Google Wallet, entre outros.

Porém, utilizando-se de tecnologia que já existe ha mais de 10 anos no mercado, como o QR Code, smartphones com câmeras e a internet, qualquer banco poderia ter, hoje, uma aplicativo para pagamento via celular que fosse de amplo uso. Este app, conceitualizado nos slides abaixo, permitiria transferencia de dinheiro e pagamentos entre pessoas físicas e/ou lojas de forma muito fácil e rápida.

Dêem uma olhada:

Com estas funcionalidades, como crowdsourcing para categorização automática de despesas, budgets e mobile payments para todos, juntamente com os conceitos preconizados na parte 1 desta série de artigos, acredito que teríamos a vida muito mais fácil junto ao nosso banco.

O que um banco deve prover para seus clientes é este tipo de facilidade. Deveríamos ter melhores ferramentas para organizarmos nossa vida financeira e para realizarmos transações com simplicidade e rapidez.

Os bancos no exterior estão indo no caminho certo. Só espero que algum dia os bancos brasileiros se deem conta de que não “estão entre os melhores do mundo” e comecem facilitar as vidas de seus clientes com este tipo de serviço.

Banco 2.0 – Como os Bancos Poderiam Ser na Era da Internet (parte 1)

No artigo anterior, falei sobre o que me frustra nos bancos brasileiros, particularmente no quesito de serviços online. Neste e nos próximos artigos escreverei sobre o que gostaria de ter como cliente de um internet banking. Colocarei minha perspectiva, com um olhar de quem já utilizou bancos internacionais e de quem participou na concepção e lançamento de empresas de internet. Algumas das idéias aqui ainda estão cruas, mas acredito que merecem serem desenvolvidas.

Seguem as principais funcionalidades e conceitos que um banco na era da internet deveria possuir:

1) Layout limpo + Usabilidade

A primeira impressão de quando voltei da Australia e me loguei no meu banco brasileiro foi de espanto. Fiquei impressionado com a quantidade de informação, de links, e de coisas que tinha na minha tela principal. Para um serviço web, isto não é muito bom. A tela tem que ser limpa, somente com informações principais. Os menus e a navegação tem que ser intuitivos, fácil de encontrar o que se quer. Os internet bankings brasileiros, mesmos as versões atuais dos principais bancos ainda deixam muito à desejar em limpeza de layout e usabilidade. Estamos no tempo em que a Apple ensinou ao mundo que simplicidade, elegância e usabilidade em design são as coisas mais importantes para se tornar a empresa mais valiosa do mundo.

Dá para se ver, nas ultimas versões dos internet bankings atuais, que estão tentando ir neste caminho, mas o problema está mais fundo, em como o próprio banco enxerga e trata os seus próprios produtos financeiros. A estrutura dos produtos e informações tem que ser repensada para o ambiente online.

onlineBankingMorph

2) Login por usuário, não por conta.

Eu não sou uma conta, sou uma pessoa. Posso ter mais de uma conta ou produto financeiro em um banco. O banco certamente quer isto. Sim, normalmente se possui uma conta principal, mas toda a experiência bancária online não pode ser centrada em um só produto financeiro, como é feito hoje pelos bancos brasileiros.

Imaginem o cenário de uma pessoa possuindo: uma conta corrente, uma conta de investimento em CDB-DI, uma conta conjunta com sua/seu esposa(o), 2 cartões de crédito, um financiamento de carro e um empréstimo pessoal, tudo com um só banco. Hoje, ao logar-se no seu internet banking brasileiro, ele verá somente a sua conta corrente e terá que cavar, individualmente nos menus, todos os outros produtos para saber seus saldos, posições atuais, etc.

No banco da era da internet, todos os produtos que possuo deveriam estar resumidos na primeira tela. Em meu banco na Australia, ha 10 anos atrás, eu já conseguia ver todas as minhas contas assim. É uma página simples, como na figura abaixo (contas e valores fictícios).

Saldo contas

Na tela acima, as contas possuem nomes, não números. Eu posso customizar os nomes delas e também os grupos em que estão organizadas. Eu organizo minha tela principal com informações que fazem sentido para mim, e somente com os produtos que eu possuo. No meu banco na Austrália, eu podia, inclusive, ver as contas das empresas e de outras entidades que eu possuía acesso. Eu as deixava agrupadas em um grupo específico excluindo elas do cálculo do meu patrimônio líquido. Se o usuário quiser saber mais detalhes sobre cada conta, é só clicar sobre ela. Ainda na tela principal, um resumo, que ficaria logo abaixo dos saldos de todas as contas, te informaria a sua posição geral junto a este banco.

Posic Consolid

Este conceito é simples, mas fico me perguntando o porquê os bancos brasileiros não implementam.

3) Tratamento de contas de cartão de crédito (e de financiamentos) como conta corrente.

É impressionante também como os bancos conseguem complicar as faturas de cartões de crédito. No meu banco brasileiro, quando abro a fatura no internet banking, ela é apresentada da mesma forma que no papel: muito complicada. Em vez disso, estas contas poderiam ser apresentadas como as contas correntes, com transações e saldo em uma lista simples e ordenada por data. Deveríamos ter a possibilidade de agrupar as transações como quisermos: por mês, por corte da fatura; e deveríamos poder pesquisar o extrato por: período de data a data, pesquisa na descrição da transação, etc. O fato de que se deve pagar a fatura em uma data específica não precisa interferir na apresentação dos gastos ao usuário, que devem ser contínuos e passíveis de serem pesquisados e agrupados por períodos determinados por ele.

Outro ponto referente aos cartões de crédito é quando se paga o mesmo com um ou poucos dias de atraso. Não sei o que acontece para você, leitor, mas se pago com 1 dia de atraso, o dinheiro do pagamento some da conta corrente e só vai aparecer como limite disponível no cartão de crédito na data da próxima fatura, quase 1 mes depois. Qual a razão da não liberação do meu limite de crédito neste caso? O dinheiro foi para o limbo neste período? O valor já foi pago e veio da conta corrente do mesmo banco! Os juros só devem ser cobrados em cima dos dias atrasados, ou de acordo com o contratado com o seu cartão, mas quando se paga, o dinheiro teria que entrar como liberação de crédito em sua conta no mesmo dia (como uma conta corrente).

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4) Extratos de 10 anos

Ainda hoje entrei no internet banking de uma conta de empresa que tenho acesso e o site não me permite ver transações de mais de 60 dias atrás. E esta versão do site foi lançada há poucos meses. Limite de somente 60 dias de transações passadas na conta corrente, para uma empresa?!. Realmente isto é uma limitação sem sentido. Para minha conta corrente pessoal, já aumentaram o período para 11 anos (finalmente), mas o cartão de crédito ainda apresenta somente os últimos 12 meses de faturas (e daquele modo complicado). Este período aumentado de histórico seria algo que os bancos cobram adicionalmente de empresas? Se sim, não acho correto, pois é informação básica e essencial, Também se sim, por que o banco não me oferece isto ali na própria página, dentro do contexto? Se não, como não conseguem? Na Austrália, há 10 anos atrás eu já podia ver 7 anos de histórico. Por que no Brasil eu não posso, sendo que nossos bancos fazem muito mais dinheiro que os Australianos?

5) Criação de novas contas e/ou sub-contas online.

Quantos de nós nunca quisemos repartir nosso dinheiro em contas diferentes para fins diferentes? A grande maioria dos livros de finanças pessoais indicam que se deve reservar 10% dos seus ganhos para investimentos, 10% para doações, etc. Mas no modelo de contas bancárias que temos hoje no Brasil isto é muito complicado de fazer. E se eu quiser ter uma aplicação em CDB-DI para guardar dinheiro para uma viagem de final de ano e outra para comprar um carro novo? Tenho que abrir contas de investimentos separadas ou colocar tudo em uma conta e separar no Excel.

Na era da internet, os bancos deveriam permitir que se abra e feche contas online, em poucos cliques, sem a burocracia de se aparecer em uma agência. Quando a primeira conta já está aberta, os bancos já possuem todos os seus dados de cadastro. Você já pode autorizar pagamentos e transferências usando sua assinatura eletrônica e ferramentas de segurança (senha, token, etc.). Por que ainda não se pode abrir novas contas correntes ou de investimento com facilidade?

Se a burocracia jurídica for muita, sendo necessária a presença física, tenho uma alternativa para isto: abertura de sub-contas virtuais. Você já possui o contrato da sua conta corrente ou conta de investimento assinado. Nada impede que o banco te apresente divisões ‘virtuais’ destas mesmas contas, derivando todas as suas características, somente para você se organizar pessoalmente. Do ponto de vista financeiro e jurídico, a conta seria uma só, mas uma simples ferramenta online pode dividir estas contas virtualmente para ajudar a te organizar.

FinanceWorks

Estes são pontos básicos, simples, mas que há muito tempo já deveriam ter sido implementados e ainda não foram, ou estão ainda em fases de implementação nos bancos brasileiros. No próximo artigo desta série, colocarei funcionalidades um pouco mais avançadas mas que já são possíveis hoje e que melhorariam em muito a nossas vidas financeiras (o melhor ainda está por vir). Dentre elas estão: crowdsourcing para gestão financeira pessoal automática, uma ferramenta simples de pagamento via celular que todo banco poderia implementar ontem, e algumas outras coisas.

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Porque os Bancos Brasileiros Não Estão Entre os Melhores do Mundo.

Ultimamente ouvi pessoas me dizendo que “o sistema bancário do Brasil é um dos mais avançados do mundo”. Já utilizei bancos no exterior e não acredito muito nesta afirmação, pelo menos no quesito internet banking.

Os serviços online dos bancos brasileiros possuem muitas funcionalidades, mas elas são difíceis de usar, não são muito bem estruturadas e poderíamos ter muitas outras facilidades que não são oferecidas e que facilitariam a vida do usuário imensamente.

Banking

É uma pena que na era da internet, do Facebook, da Apple e do Google, os bancos, que são as empresas que mais lucram no Brasil, ainda estão devendo muito no quesito digital. Acredito que o internet banking que temos deixa a desejar. Os aplicativos mobile que nossos bancos lançam também poderiam ser melhores.

Como exemplo, seguem algumas das funcionalidades de nossos internet bankings que, na minha opinião, poderiam ser definitivamente melhoradas:

  • Login por número da conta.
  • Extratos de no máximo 60 ou 90 dias.
  • Faturas/extratos de cartão de crédito completamente engessados, sem usabilidade.
  • Descrições de lançamentos difíceis de se decifrar.
  • Serviço de pagamento de contas complicados de usar.
  • Altas taxas para serviços eletrônicos (que deveriam ser muito baratos, se não gratuitos).
  • Layouts entulhados, complicados.
  • Falta de preocupação com usabilidade.
  • Falta de iniciativas para ajudar o cliente a se estabilizar financeiramente.

Existem tantas lições de bancos internacionais que poderiam ser aplicadas nos bancos brasileiros. Isto sem falar nas funcionalidades geniais que empresas de internet de outras áreas podem ensinar.

Imagino que parte da culpa é que os bancos ainda tem que manter compatibilidade com sistemas legados (antigos) e também por motivos de segurança. Porém, descuido com usabilidade e processos complicados demais não deveriam ser a norma.

No próximo post colocarei o meu conceito de Banco 2.0, um banco que, acredito eu, já deveríamos estar usando mas estamos ainda longe de chegar lá.

A Educação e o Mundo Atual

Vi hoje um vídeo excelente do prof. Mario Sérgio Cortella no YouTube, em que ele coloca em cheque a perda de noção da relação trabalho-recompensa que está acontecendo em nossos jovens.

A frase “a juventude acredita que desejos são direitos” expõe corretamente o que tem ocorrido. Mas o problema não é só dos jovens ou da sociedade. Os pais e educadores são os grandes culpados disso. Esta culpa não é só pela falta deles criarem regras e uma estrutura que evidencie a relação trabalho-recompensa, mas também pelo fato de resistirem a adaptar-se, eles próprios, ao novo mundo.

Para ilustrar o ponto de que os jovens estão desconhecendo a relação trabalho-recompensa, o prof. Cortella utiliza-se de exemplos como o da pamonha. As famílias antigamente passavam o dia inteiro de sábado preparando a pamonha juntos, cada um com seu trabalho. Só depois de tudo operacionalizado e trabalhado, eles tinham a recompensa da refeição.

Acredito que, se os pais quiserem, isto pode ser replicado à um churrasco no domingo ou outra atividade interessante e atual. Porém, o ponto que quero fazer é que existe algo que os pais e professores não estão conseguindo enxergar. Poucos adultos sabem que os jovem de hoje são capazes de foco intenso, trabalho intelectual profundo, e conseguem lidar, em modo “multitarefa”, com problemas de complexidade que pouquíssimos adultos hoje tem capacidade de lidar; tudo isto para conseguir uma recompensa que realmente lhes interessa.

Esta atividade, no mundo dos jovens, se dá nos vídeo games. Os games, hoje, são o maior campo de trabalho, cooperação e conquista que existe para eles. Jane McGonigal tem um vídeo muito interessante no TED sobre este assunto e como a gamificação do mundo real tem o potencial de mudar o mundo.

Mas então por que não vemos isto na sala de aula ou nos comportamentos que os adultos querem dos seus filhos? (voltaremos a esta pergunta um pouco mais à frente neste artigo).

E quanto à perda de paciência dos jovens, que querem tudo para ontem e não conseguem ficar sentados em uma sala de aula?

A paciência é algo relativo (lá vem o relativismo ;-)). Desde o início dos tempos, a velocidade de tudo na humanidade está mudando e sempre mudou para mais rápido. Para um homem das cavernas se locomover poucos quilômetros, ele passava dias andando. Com o tempo veio o cavalo e a canoa. Depois o carro e o avião. Antigamente, um homem de Neanderthal passava a vida inteira para aprender a usar uma ferramenta. Depois vieram os contadores de historia e os professores. Depois os livros. Depois a internet. Hoje os jovens conseguem conectar teorias complexas em minutos via Wikipedia e vídeos no TED ou YouTube. Eles conseguem absorver e processar muita informação em pouquíssimo tempo.

A velocidade do mundo é outra, então, como podemos julgar a paciência dos mais jovens? Por que os adultos se acham corretos em aprender algo em alguns dias usando um livro enquanto consideram o Neanderthal e o jovem de hoje errados em aprender em anos e minutos, respectivamente? Não me leve a mal. Acredito piamente que a paciência é uma virtude, e que os que a tem possuem uma vantagem competitiva enorme frente aos que não a tem. Porém, temos que julgar ela, e os outros assuntos aqui discutidos, sempre em relação ao ambiente e a realidade em que a humanidade se encontra, e não frente a como fomos criados no passado.

Outro aspecto muito comentado da falta de paciência atual dos jovens é que eles perdem o foco muito rápido. Mas o que poucos adultos esquecem é que a velocidade que eles processam as informações é muito diferente da dos adultos. Informações que não são objetivas, coesas ou criativamente interessantes não tem mais lugar no mundo dos jovens.

Isto é certo ou errado? Não sabemos, mas eu pessoalmente acredito que isto faz parte da nossa evolução. Com a internet, temos tanta informação disponível, de tantas formas e fontes, que a própria teoria da evolução natural de Darwin se deu conta de matar, na cabeça dos jovens, as informações que não se enquadram no “objetivo e criativamente interessante”.

Antes de julgarmos que a maioria do conteúdo que jovens consomem hoje é porcaria, temos que olhar de forma geral para o nosso próprio umbigo. Jovens e adultos gostam de se divertir, e a maioria de ambos os fazem com conteúdo intelectualmente ridículo (vide: Escolinha do Professor Raimundo, piadas do português Sr. Manoel, estórias de desastres ou infelicidades de terceiros, novelas, vídeos imbecis no YouTube ou o Big Brother). O que os adultos esquecem de ver é que os jovens também consomem, juntamente com os vídeos ridículos na internet, artigos e vídeos de alta qualidade instrutiva veiculadas pela Wikipédia, pelo TED, UOL, entre outras coisas. Acredito que nada tenha mudado em termos de qualidade de conteúdo entre os jovens e os adultos. O que mudou foi somente o meio e a velocidade de consumo. Tanto os mais velhos, quando estes eram jovens, quanto os jovens de hoje, consomem tanto conteúdo ruim para se divertir e bom para se educar.

Outro ponto do vídeo do Sr. Cortella é a falta de respeito do jovem frente ao professor e aos pais. Concordo veementemente que a falta de respeito seja errada, mas de forma geral isto sempre existiu. No passado ou a falta de respeito era enrustida quando o jovem tinha que aceitar, quieto, ao que o adulto comandava, ou ele se rebelava e se desligava dos pais de forma radical. O que existe hoje é mais liberdade de expressão, o que dá espaço para mais diálogo. Hoje, não se impõe respeito só por status ou condição social, como antigamente. O respeito deve ser ganhado em cada situação, pela conversa, admiração e o exemplo, tanto na relação professor-aluno como na relação pais e filhos. Cabe aos pais e educadores mudarem suas atitudes, estarem mais presentes e se desenvolverem psicologicamente para serem capazes de negociar com jovens que são mais informados e mais espertos do que eles foram quando eram jovens.

O ponto principal da palestra do Sr. Cortella (que os jovens estão perdendo o valor do trabalho) está corretíssimo. No entanto, no meu ponto de vista, isto evidencia o despreparo dos pais e professores em adaptar-se à atualidade.

Antigamente, produtos e opções não existiam em abundância. Informações eram escarças. As escolhas eram poucas e comprar algo demandava de certo trabalho. A ligação entre a compra de um produto e o trabalho que demandava para levantar o dinheiro para esta compra era muito mais evidente. Hoje, até os adultos perderam a noção desta ligação quando usam cartões de crédito e cheque especial.

Os pais devem sim educar seus filhos colocando estrutura, criando rotina, impondo regras (e  seguindo suas próprias regras) e colocando em evidencia a relação trabalho-resultado. Mas temos que tomar o cuidado de não criar estruturas e rotinas que imponham o modo de vida e costumes antigos, mas sim algo que dê espaço para a utilização das novas ferramentas e da nova velocidade da atualidade. A relação trabalho-recompensa pode ser criada com qualquer ferramenta e em qualquer meio. O que os pais e professores devem fazer é entender que eles também devem mudar. Eles devem adaptar-se, conhecer o novo mundo e usar da criatividade e da tecnologia para criar essa estrutura, balizar suas regras, e educar para o novo mundo.

Um grande exemplo disto, na área de educação, está sendo dado por Salman Khan (reportagem de capa de revista Veja desta semana). Há alguns anos atrás, conheci a Khan Academy e achei interessante. Depois, no começo do ano passado, assisti um vídeo no TED sobre a evolução da Khan Academy, o que realmente me deixou ainda mais interessado (vale a pena o leitor assistir).

A metodologia que eles estão testando em algumas escola na California é uma em que o aluno vê vídeos de altíssima qualidade, objetividade e didática em casa (ou em algum horário específico para isto) e usam a sala de aula para discutir, ensinar os outros, ou realizar trabalhos práticos e colaborativos em relação à teoria que aprenderam. Isto, no mundo de hoje, faz mais sentido. Como um professor espera que um jovem que está acostumado a consumir informações altamente objetivas e interessantes na internet, fique sentando em uma cadeira por horas ouvindo ele falar. Se o professor não tiver a mesma altíssima qualidade didática e tornar a aula interessante, ele não vai obter a atenção dos alunos. É correto esperar que todos os professores tenham esta altíssima qualidade de didática e engajamento? Não sei. Todos somos humanos. Mas como o Sr. Khan está fazendo, existem maneiras de massificar a entrega do conteúdo nesta qualidade e numa metodologia apropriada para o novo jovem, e depois reforçar com atividades práticas colaborativas em sala de aula. O professor não deve ser colocado de lado. O papel dele como estruturador, guia, construtor e facilitador de tarefas práticas, avaliador de progresso, direcionador, customizador e mentor no aprofundamento individual continua e até aumenta. A qualidade do professor continua sendo vital, mas agora de um modo diferente.

Este é só um dos exemplos que pode vir a dar certo. Note que nele a metodologia foi adaptada ao que funciona (na prática) para o público atual. Isto pode dar certo ou não, mas o que não se pode fazer é parar de experimentar e tentar adaptar-nos à nova realidade. Como o mundo sempre muda, sempre haverá um jeito melhor. Então, sempre temos que experimentar e nos adaptar.

Para concluir, e esclarecendo a resposta para a pergunta de “por que os jovens não aplicam seu foco dispendido em vídeo games no mundo real”: isto se dá devido justamente à falha de pais e professores de entender e adaptar-se ao mundo atual, da tecnologia, que é o mundo dos jovens. Os papeis gerais de criação de estrutura e direcionamento dos pais e professores são os mesmos, apenas os métodos devem ser alterados. Temos que reforçar e evidenciar a relação trabalho-recompensa, mas temos que fazer isto de forma interessante e adaptada para os jovens. Afinal de contas, uma coisa que não podemos fazer é julgar os jovens através do modelo de vida da época em que fomos criados.