O Manifesto da Geração 'M'


Caros leitores,

Li recentemente um artigo que despertou diversas emoções dentro de mim. Sentimentos que tenho guardado junto aos meus valores pessoais e que de vez em quando, nesta correria do dia a dia, devemos sempre relembrar.

Já quero dizer de antemão que não concordo 100% com alguns detalhes do artigo, e vou por meus comentários depois da tradução abaixo, mas a idéia e valores apresentados refletem bastante meus sentimentos. Segue minha tradução abaixo:

Título do artigo: “O Manifesto da Geração M”

Original em inglês: The Generation M Manifesto, de Umair Haque, publicado no seu blog no site da Harvard Business Review.

Tradução: >>

Caros senhores velhos que mandam no mundo,

Minha geração quer se separar de vocês.

Todo dia eu vejo uma diferença crescente em como vocês e como nós encaramos o mundo – e o que nós queremos dele. Eu acho que temos diferenças inconciliáveis.

Vocês querem corporações grandes, gordas e preguiçosas. Nós queremos negócios pequenos, ágeis e responsivos.

Vocês deram um significado sujo à palavra ‘política’. Nós queremos democracia verdadeira, transparente e profunda, em todo lugar.

Vocês querem um fundamentalismo financeiro. Nós queremos uma economia que faça sentido para pessoas comuns, não apenas aos bancos.

Vocês querem valor ao acionista, criado por CEOs durões. Nós queremos valor real, criado por pessoas com caráter, dignidade e coragem.

Vocês querem uma ‘mão invisível’ – e veio a mão digital. Hoje, a grande maioria das transações no mercado é feita literalmente ‘roboticamente’.Nós queremos um aperto de mão visível: para confiar e ser confiado.

Vocês querem crescimento – rápido. Nós queremos calma, para que possamos ser melhores.

Vocês não se importam com quais comunidades são destruídas, ou que vidas são arruinadas. Nós queremos que a maré suba, erguendo todos os barcos.

Vocês querem uma vida de rei: mansões, carrões e especiarias caras na mesa. Nós queremos humanizar a vida.

Vocês querem condomínios fechados, segregação, portões separatistas. Nós queremos uma sociedade humanizada, baseada em comunidades autênticas.

Vocês querem mais dinheiro, crédito, alavancagem – para consumir ferozmente. Nós queremos ser grandiosos em realizar ações que façam a diferença.

Vocês sacrificaram o que é realmente significante por bens materiais: vocês trocaram exatamente as coisas que nos fazem grandiosos por bijuterias, bugigangas, gadgetsNós não estamos à venda: nós estamos reaprendendo a fazer o significante, a fazer a diferença.

Está acontecendo uma movimentação tectônica mudando os ambientes sociais, políticos e econômicos. Os últimos dois pontos acima são os que expressam isso mais concisamente. Eu odeio rótulos, mas vou colocar um, mesmo imperfeito e falho: “Geração M”.

O que significa este ‘M’ em Geração M? Primeiramente, significa Movimento. É um pouco sobre idade, mas mais apropriadamente sobre um número crescente de pessoas que estão agindo de modo diferente. Estão realizando ações que realmente importam. (doing meaninful stuff that matters the most). Estes são o segundo, terceiro e quarto ‘M’s.

A Geração M idealiza o entusiasmo, responsabilidade, autenticidade, e o desafio do status-quo de ontem. Para onde quer que eu olhe, eu vejo uma explosão de negócios, ONGs, comunidades open-source, iniciativas locais, governos, baseados na Geração M. Obama, mais ou menos. Larry Page Sergey Brin (os fundadores do Google). Os ThreadlessEtsy, e o pessoal do FlickrEv, Biz e o pessoal do Twitter. Tehran 2.0. O pessoal do KivaTalking Points Memo, e FindtheFarmerShigeru MiyamotoSteve JobsMuhammad Yunus, e Jeff Sachs são como os vovôs da Geração M. Existem muitos mais de onde vieram estes.

A Geração M não é apenas ‘legal pra caramba’ – é vitalmente necessária. Se você acha que os ‘M’s soam idealistas, pense de novo.

A grande crise não está indo embora, movendo-se ou sofrendo nenhuma mutação. É a mesma velha crise – e está crescendo.

Vocês fracassaram em reconhecê-la pelo que ela realmente é. Ela está, como eu repetidamente já apontei, nas nossas instituições: são as regras pelas quais nossa economia está organizada.

Mas estas são as suas instituições, não nossas. Vocês as construíram – e elas são quebradas. Veja um exemplo do que eu estou falando:

“… por exemplo, a indústria automobilística cortou tanto a produção que os estoques começaram a diminuir – mesmo face à demanda historicamente fraca por automóveis. Na medida em que a economia se estabiliza, somente o fato de se reduzir o passo desta diminuição de estoque acarretará no aquecimento do produto interno bruto, o PIB, que é a produção total de bens e serviços da nação.”

Limpar o excesso de estoque de SUVs, produzidos com tecnologia de 30 anos atrás, vai aquecer o nosso PIB? E daí? Não poderia existir um exemplo mais claro de que o PIB é um conceito falho, uma instituição obsoleta. Nós não queremos mais iates entupindo nossas ruas: nós queremos uma indústria automobilística do século 21.

Eu estava (meio que) brincando quanto à nossa separação. Mas aqui está o que eu acho: cada geração tem um desafio, e eu acredito que a nossa é: pagar pelos erros da depravação passada – e criar uma prosperidade compartilhada, autêntica e sustentável.

Qualquer um, velho ou novo, pode fazer sua parte. Fazer parte da Geração M é mais relacionado com o que você faz do que quem é você ouquando você nasceu. Então a questão é: você ainda pertence ao século 20 – ou ao 21?

Abraços,

Umair e o Edge Economy Community

<<  Fim da tradução.

Imagino que a primeira reação de pessoas mais vividas à este texto será a de dizer: “jovens…, acreditam que são os primeiros que pensaram em mudar o mundo…

climate-change

Primeiramente, gostaria de comentar que acredito que cada geração tem como desafio consertar os erros, e construir em cima, da geração passada. Isto foi o que aconteceu com nossos pais e os pais dos nossos pais, e o que acontecerá com nossos filhos e os filhos dos nossos filhos.

Em segundo lugar, concordo com o fato deste rótulo de “Geração” ser um rótulo um pouco limitante de mais. Acredito que existam pessoas de diversas idades e caminhos da vida que se encaixam como os ‘M’s deste artigo. Mas também reconheço que estes valores possam ser mais acentuados em pessoas das novas gerações. Elas cresceram ou estão crescendo mais cientes das mudanças climáticas atuais, assistindo a manobras políticas cada vez mais descaradas e evidentes, entendendo os efeitos da concentração de riqueza e da falta de educação popular, e crescendo com maiores valores humanitários e sociais.

Ao ler este artigo, inicialmente fiquei com alguns conflitos internos, mas mesmo assim me identifiquei muito com seus valores.

Eu estava namorando uma SUV para comprar, pois acabei de ter um filho e meu carro atual não leva nem metade da infra de suporte ao meu pequeno. Mas entendo a gravidade da situação climática e do caos nas nossas cidades. Claro que não estava pensando em comprar uma dessas SUVs americanas de 8 cilindros, 3Km/l. Minha consciência já estava focada numa Honda CRV, dessas japonesas, um pouco mais eficientes. Mas se já estivesse disponível, gostaria de poder comprar uma CRV Híbrida ou Elétrica. Ficaria com o melhor dos 2 mundos…

Cresci e fui educado com ambição e querendo coisas boas. Porém, meus pais também me atribuíram com um ótimo senso de respeito ao próximo e à natureza. Seriam estes valores conflitantes? Talvez não. Posso ser ambicioso a realizar grandes mudanças positivas à sociedade, elevando a maré para que todos os barcos subam, e colher meus frutos, podendo comprar minha SUV elétrica para levar meu filho para brincar na praia ou conhecer o campo.

Será que isto é querer muito? Será que é só meu sonho? Vocês são M’s também?

Bom, pelo menos a maioria das pessoas poderia seguir, no mínimo, o grande moto do Google: Don’t be Evil! (não seja malvado)

Uma resposta em “O Manifesto da Geração 'M'

  1. O texto é realmente muito bom e nos faz refletir sobre diversos conflitos existentes na atual sociedade e em nosso papel dentro dela. Mais uma vez demonstra que mudanças acontecem cada dia mais velozmente. Mudanças não só em organizações, mas em sociedades inteiras.
    Parabéns pela escolha do artigo e comentários atribuídos a ele!

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